Hoax é o termo usado em informatiquês para
designar a disseminação de informações falsas e alarmantes a respeito de um
fato, mediante o uso da internet, seja por e-mails, seja por redes sociais.
Alguns o chamam de "vírus social", pois se destina apenas a mobilizar
as pessoas que, munidas de boa-fé, "caem" no golpe e entopem as
caixas postais ou perfis de seus amigos com balelas eletrônicas, correntes,
promessas de prêmios ou atos de solidariedade. É o bom e velho
"trote", cuja dimensão foi amplificada pela comunicação reticular que
envolve grande parte das pessoas em nosso universo.
São inúmeros os
exemplos de hoax que circulam pela rede mundial, sendo
que alguns têm a capacidade de gerar um grau de mobilização absolutamente
intenso. Esta semana, a suposta veiculação de condutas de risco em uma rede
social, feita por um programa dominical ressuscitou um boato que já havia
percorrido o mundo cibernético há alguns meses. Segundo aqueles que
"teriam assistido" à reportagem, se não houvesse uma reconfiguração
no perfil dos usuários do Facebook, feita pelos seus amigos, o conteúdo
publicado por esse usuário ficaria visível a pessoas de fora de sua
relação.
A história não era
verdadeira, como revelaram diversos veículos. Trata-se de mais um trote virtual, que
encheu a paciência de muitos usuários, cujos amigos ficavam reproduzindo
insistentemente o "alerta", sem se saber sequer a origem dele. Claro
que a maioria fez isso preocupado com sua privacidade, que estaria sendo
passível de violação. Mas o assunto revela dois aspectos que me chamam a
atenção. O primeiro não é novo, mas adquire certa gravidade que antes não era
observada. Quando as informações eram escassas, justificava-se que as pessoas
acreditassem naquilo que lessem ou ouvissem, com poucas possibilidades de formularem
juízo crítico. O episódio envolvendo Orson Welles e a leitura radiofônica de
"A Guerra dos Mundos" é conhecido pelo pânico que causou a muita
gente, que acreditava - e não tinha motivos para não acreditar - que a
narrativa era jornalística, e retratava um episódio real.
Hoje, no entanto,
isso não tem explicação. O acesso à informação é tão amplo que a assimilação de
algo como verdade inquestionável é um tanto inadmissível. Ao mesmo tempo em que
temos várias fontes de notícias, temos instrumentos que nos permitem maior
segurança na sua confiabilidade. Em outras palavras, cada um escreve o que
quiser, e muitos escrevem muita bobagem. Mas nada sobrevive a um mínimo de
pesquisa e de conferência, ainda mais se a informação é imprecisa ou vaga. Ou
bombástica, como foi o caso. Nem as fontes tradicionais estão imunes a
erros ou à atuação tendenciosa. Os principais veículos de comunicação no Brasil
são dominados por oligarquias que interferem nitidamente na linha editorial de
suas publicações, e nem sempre produzem resultados efetivamente confiáveis.
Isso sem contar que o excesso de publicidade existente nesses veículos os torna
suspeitos para abordar determinados assuntos. Por isso, sempre que possível, deve-se
recorrer a profissionais de comunicação independentes, que não cedem às
pressões profissionais ou institucionais.
O outro aspecto diz respeito à postura dos usuários das redes
sociais. Ninguém está ali pensando em proteger completamente suas informações. Caso
não quisessem qualquer exposição, simplesmente não faziam parte desses
instrumentos, que se destinam exatamente àquilo que indica sua designação: a
formação de um complexo de relações entre integrantes da sociedade. Em regra,
essas redes são compostas de ferramentas em que o próprio usuário define o nível
de privacidade que quer ter. É improvável que isso fique nas mãos de terceiros.
Portanto, basta que maneje corretamente as instruções que existem na própria
rede para preservar parcialmente aquilo que não deseja tornar público. Quando
expomos fatos do nosso cotidiano em redes sociais, o que menos queremos é
privacidade. Queremos fazer uso dos nossos efêmeros quinze minutos de fama. Para
ficar totalmente imune a isso, só saindo de todas as redes sociais, tornando-se
um eremita digital.
Para lembrar: querendo permanecer na rede, a regra básica foi
ditada pelo Barão de Itararé há mais de cinquenta anos, bem antes da internet.
Não se deve fazer na vida pública o que se faz na privada.


